Hoje candidato ao inédito título mundial, surfista não sabia pegar ondas para a esquerda nem falar inglês quando começou a competir
Adriano de Souza mal consegue lembrar em que ano foi. Lembra que era a primeira final que disputava. Uma onda perfeita se formava no outside, mas ele sequer ousou remar em sua direção. Era uma esquerda, e Adriano, irmão de Angelo, não sabia pegar ondas para a esquerda. Perdeu o título, levou um puxão de orelha do empresário e ficou os seis meses seguintes surfando somente ondas para aquele lado. Na última terça-feira, Adriano voltou a ver esquerdas se formando. Estava na costa espanhola de Sopelana, no País Basco. Remou sem medo em direção a elas. Seguidas vezes. Uma melhor do que outra. Conquistou sua primeira vitória na elite do surfe. Daquela primeira decepção ao posto de esperança brasileira ao inédito caneco do Circuito Mundial, ele carrega na prancha exemplos de disciplina e dedicação.
O empresário é o mesmo até hoje. Foi Luis Campos, o Pinga, quem primeiro enxergou nele um futuro promissor. Aos 9 anos, Adriano era apenas um menino pobre do Guarujá que tinha a prancha como um dos poucos brinquedos. Há 23 anos, a família De Souza migrou do Rio Grande do Norte para São Paulo em busca de trabalho na região litorânea. O pai montou um pequeno bar no Guarujá. O irmão, Angelo, 13 anos mais velho, foi quem o empurrou sobre uma prancha pela primeira vez. E como o apelido dele era Mineiro, o caçula virou... Mineirinho.
Mineirinho teve dificuldades para conciliar estudos e competições. E passou por maus momentos em consequência disso. Como em sua primeira viagem ao Havaí, aos 11 anos. A passagem fora um prêmio pela vitória em um campeonato. Na primeira das duas escalas até Honolulu, em Dallas, achou que já tivesse chegado. Sem saber se comunicar, saiu do avião. Teve de ser levado de volta, pois estava certo de que estava no destino final.
O primeiro grande título da carreira veio em 2003: sagrou-se campeão mundial pro júnior. Em 2005 e em 2006, dedicou-se à divisão de acesso mundial, o WQS. Conquistou o bicampeonato do circuito que dá 15 vagas para a elite do surfe. Ao chegar à elite, logo surpreendeu. Em sua primeira etapa, foi às semifinais. Adaptou-se bem aos grupo dos melhores do mundo. Vira e mexe troca a badalação pelo computador - adora editar vídeos - e pelo estudo: estuda o melhor equipamento, a melhor estratégia.
- Ele está sempre prestando atenção, se dedicando, sempre tentando evoluir - contou o americano Kelly Slater, em julho, quando esteve no Brasil.
Mas a dificuldade de se comunicar ainda atrapalhava. Seu patrocinador, então, pagou um curso de inglês de três meses de duração na Gold Coast australiana. Hoje, mora em São Clemente, na Califórnia.
O maior susto da carreira foi em 2007. Após uma "vaca", cortou o rosto durante a etapa móvel do “circuito dos sonhos”. O sonho virou pesadelo em Arica, no Chile.
Mas surfistas estão acostumados ao perigo. Sabem, como poucos, como driblar o medo, esteja ele em um fundo de pedra ou no olho de um adversário. Um deles, bem verde, costuma incomodar.
Até esta semana, Kelly Slater, eneacampeão mundial, tinha seis vitórias em seis confrontos contra Mineirinho. E a última delas tinha sido justamente na final da etapa brasileira, em Imbituba. Na terça-feira, finalmente conseguiu dar o troco.
Aos 37 anos, porém, o americano é uma incógnita para a temporada 2010. Conquistar o título mundial com Slater ainda competindo daria ainda mais prestígio ao brasileiro.
- O circuito mundial deve muito a ele e, sem ele, não tem o mesmo peso – disse, durante a etapa de Imbituba.
Mineirinho pega uma esquerda em Sopelana, onde conquistou sua primeira vitória no Circuito Mundial
Mineirinho teve dificuldades para conciliar estudos e competições. E passou por maus momentos em consequência disso. Como em sua primeira viagem ao Havaí, aos 11 anos. A passagem fora um prêmio pela vitória em um campeonato. Na primeira das duas escalas até Honolulu, em Dallas, achou que já tivesse chegado. Sem saber se comunicar, saiu do avião. Teve de ser levado de volta, pois estava certo de que estava no destino final.
O primeiro grande título da carreira veio em 2003: sagrou-se campeão mundial pro júnior. Em 2005 e em 2006, dedicou-se à divisão de acesso mundial, o WQS. Conquistou o bicampeonato do circuito que dá 15 vagas para a elite do surfe. Ao chegar à elite, logo surpreendeu. Em sua primeira etapa, foi às semifinais. Adaptou-se bem aos grupo dos melhores do mundo. Vira e mexe troca a badalação pelo computador - adora editar vídeos - e pelo estudo: estuda o melhor equipamento, a melhor estratégia.
- Ele está sempre prestando atenção, se dedicando, sempre tentando evoluir - contou o americano Kelly Slater, em julho, quando esteve no Brasil.
Mas a dificuldade de se comunicar ainda atrapalhava. Seu patrocinador, então, pagou um curso de inglês de três meses de duração na Gold Coast australiana. Hoje, mora em São Clemente, na Califórnia.
O maior susto da carreira foi em 2007. Após uma "vaca", cortou o rosto durante a etapa móvel do “circuito dos sonhos”. O sonho virou pesadelo em Arica, no Chile.
Mas surfistas estão acostumados ao perigo. Sabem, como poucos, como driblar o medo, esteja ele em um fundo de pedra ou no olho de um adversário. Um deles, bem verde, costuma incomodar.
Até esta semana, Kelly Slater, eneacampeão mundial, tinha seis vitórias em seis confrontos contra Mineirinho. E a última delas tinha sido justamente na final da etapa brasileira, em Imbituba. Na terça-feira, finalmente conseguiu dar o troco.
Aos 37 anos, porém, o americano é uma incógnita para a temporada 2010. Conquistar o título mundial com Slater ainda competindo daria ainda mais prestígio ao brasileiro.
- O circuito mundial deve muito a ele e, sem ele, não tem o mesmo peso – disse, durante a etapa de Imbituba.
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